"Queria ter feito mais"

'Queria ter feito mais', diz mãe, 1 ano após Jandira morrer em aborto no Rio

Família critica atitude de fazer o aborto e cobra punição de responsáveis.
RJ realizou 72 mil abortos induzidos, legais ou não, em 2014, diz entidade.

Henrique CoelhoDo G1 Rio
No dia 26 de agosto de 2014, Jandira Magdalena dos Santos saiu de casa para fazer um aborto clandestino numa clínica em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, e não voltou mais. Uma semana depois, o corpo da auxiliar administrativa de 27 anos foi encontrado em Guaratiba, também na Zona Oeste, alvejado por um tiro, esquartejado e carbonizado por uma quadrilha especializada em abortos ilegais. O cadáver ainda estava sem a arcada dentária. Um ano depois, a mãe de Jandira, Maria Ângela dos Santos, de 56 anos, concedeu uma entrevista ao G1. Ela critica a decisão tomada pela filha, mas também sente culpa.
Mãe de Jandira mostra armário onde guardou pertences da filha (Foto: Henrique Coelho/G1)Mãe de Jandira mostra armário onde guardou
pertences da filha (Foto: Henrique Coelho/G1)
"Eu queria ter feito mais para impedir". Segundo a dona de casa, ela ainda tentou convencer Jandira a não fazer o procedimento, mas não conseguiu", diz, emocionada, enquanto revira os pertences da filha no armário do quarto onde a jovem dormia (veja vídeo acima).
A auxiliar administrativa deixou duas filhas, uma de 10 e outra de 12 anos. A família, evangélica, é radicalmente contra o aborto.
"Não considero uma saída. Disse a ela que cuidaria da criança, mas ela não ouviu. Ela também foi uma criminosa, mas pagou do pior jeito possível, que é a vida", avalia Joyce Magdalena, irmã de Jandira.
Já a mãe diz que a filha não morreu em vão. "Muitas deixaram de morrer depois de verem o que aconteceu com ela. Ela lidou com bandidos, que não podem estar fora da cadeia", afirmou a mãe.
Os motivos
Jandira estava no terceiro mês de gestação e decidiu abortar depois que seu parceiro na época a abandonou. "Eu disse que até cuidaria da criança se ela quisesse, mas ela estava irredutível", lembra a irmã, Joyce. Jandira pagou R$ 4,5 mil pelo procedimento.
De acordo com a legislação atual, o aborto é permitido em casos de risco à saúde da gestante ou quando a gravidez é resultante de um estupro. Em 2012, o Supremo Tribunal Federal (STF) também autorizou, por 8 votos a 2, o aborto em caso de fetos anencéfalos.
Oito presos
Após o fim das investigações da 35ª DP (Campo Grandex) oito pessoas continuam presas. O caso, que está na 4ª Vara Criminal do Rio, irá a Júri Popular, ainda sem data definida, de acordo com o Tribunal de Justiça.
A violência foi tanta, que o corpo carbonizado encontrado em Guaratiba só foi identificado como sendo de Jandira no dia 23 de setembro, após o resultado de um exame de DNA.
O delegado que conduziu as investigações, Hilton Alonso, afirma que a própria perícia da Divisão de Homicídios (DH) teve dificuldades devido à carbonização. "Eles conseguiram identificar o corpo, mas era impossível saber como ela havia morrido, se com o tiro, se durante o procedimento. Não tinha como", explicou ele.
Maria Angela dos Santos, Mãe de Jandira (Foto: Henrique Coelho/G1)Maria Angela dos Santos, Mãe de Jandira (Foto: Henrique Coelho/G1)
Operação contra quadrilha
Na esteira do crime contra Jandira, a Corregedoria da Polícia Civil realizou, em outubro de 2014, a Operação Herodes, para cumprir 75 mandados de prisão contra uma quadrilha que atuava em sete núcleos diferentes na cidade. A investigação durou 15 meses e começou antes do crime contra Jandira.
"Mostrar o que cada um dos 75 réus fez foi o mais difícil de todo o processo, além de mostrar a conexão entre eles", afirmou o promotor Marcelo Muniz, responsável pelo caso.

Entre os dez que ainda são considerados foragidos, de acordo com a Polícia Civil do Rio, está o ginecologista e obstetra Evangelista Pinto da Silva Pereira, de 77 anos.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o médico era considerado o chefe de uma famosa clínica de abordo clandestino que funcionava na Rua Dona Mariana, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. O telefone de seu consultório, em São Conrado, encontra-se desligado. Ele responde na Justiça a um processo por aborto desde 1998, tem seis anotações criminais e estaria desde outubro de 2014 nos EUA, segundo depoimento de testemunhas à polícia.
Médico matéria aborto (Foto: Polícia Civil/Divulgação)Médico está foragido após operação em 2014
(Foto: Polícia Civil/Divulgação)
O advogado de Evangelista, Sérgio Riera, foi procurado pelo G1, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Em outubro, a polícia chegou a pedir à Interpol que procurasse por Evangelista e o prendesse.

A quadrilha, de acordo com a investigação da corregedoria da polícia civil, lucrava até R$ 300 mil mensais em cada núcleo. Participavam do grupo: 14 servidores públicos, incluindo 8 policiais civis, 4 policiais militares, um bombeiro militar e um militar do Exército.

André do Espírito Santo, advogado da técnica de enfermagem Rosemere Ferreira, chefe da quadrilha que matou Jandira, também foi preso durante as investigações.
G1 conversou com uma mulher que realizou um aborto na clínica, em 2006, e conta sobre o que viu e passou no local. Pressionada pelo então parceiro, a mulher, que não quis se identificar, fez o procedimento pelo qual pagou R$ 1,8 mil. "Eu sobrevivi, mas fiquei muito traumatizada. Pela incerteza, insegurança, o medo, a solidão, tudo isso. A mulher precisa estar no centro dessa discussão", diz ela, emocionada.

Comentários

Nelsweb disse…
É triste ver uma história como essa. Não é fácil para nenhum mãe ver a filha morta e de uma forma tão cruel. Ela jamais esperaria que tal coisa fosse acontecer, tudo porque a filha não quis gerar aquele feto, que ela julgava ser indesejável, cujo, qual, o pai não estava mais com ela.
A luz da bíblia entendemos que Deus não aprova uma atitude como essa de tirar um feto que já está sendo gerado em hipótese nenhuma! E quando falo feto é porque muitos entendem que a criança não ganhou forma, ela não pode ser considerado com um ser. Mas enganam-se! Ficam criando pretextos para tirarem a vida, assumindo papel de Deus. E criam ONG'S e outras organizações do tipo de mães independes e leis, como a lei do ventre livre e mais um monte de absurdos para legalizar o aborto, e com isso, chegamos esse nível de maldade que li neste portal do G1.
A mãe, Maria Ângela, evangélica, já havia avisado a filha sobre os riscos e pediu que ela não fizesse o aborto e a filha não deu ouvidos. Jandira, sua filha, não só fez o que era errado para aquele feto mas para si mesma, acabou indo para nas mãos de "bandidos" que operam clandestinamente e mataram e a queimaram. Foi até difícil para os legistas a identificarem, porque o corpo nem arcada dentária tinha.
Fico pensando...o que seria mais fácil? (outros vão dizer que eu não estava na pele da pessoa para saber). Mas é como a mãe já havia dito para ela que deixasse a criança vir e ela ajudaria a cuidar. Analisemos a coisa pela o ponto certo não pelo visão deturpada e desobediente deste mundo. A mãe que tanto lutou pela filha mas que a perdeu pela desobediência (2 Tim.3:2). Quantas vezes podemos ter uma atitude pensando em nós mesmos e não no que o nosso Deus pode realizar na nossa vida, Ele quer nos reservar sempre o melhor(Jm 29:11), Ele nos ama e não desampara os seus, mas a desobediência tem consequências desastrosas, exemplo de Adão e Eva. Não estou aqui para julgar, mas podemos refletir sobre como somos falhos, já o somos porque pecamos mas quando além disso não queremos ouvir a correção é pior porque estamos, muita das vezes, sentenciando a nossa própria morte!
Que Deus possa consolar essa mãe que deverá aprender a superar a perda, porque afinal ela a amava apesar das falhas da filha, assim Deus também é conosco; Ele nos ama mas abomina o pecado.

Para reflexão: 1 Samuel 2:6
Deuteronômio 32:39.

Diácono Nelson Pires.
Nelsweb disse…
Não podemos esquecer de orar para que os culpados sejam punidos e paguem pelos seus crimes!

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